Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, chama atenção para a importância de avaliar regularmente o uso de medicamentos na velhice. Polifarmácia é o uso simultâneo de vários remédios, situação comum entre pessoas que convivem com diferentes condições de saúde. Embora os tratamentos possam ser necessários, a combinação de medicamentos exige acompanhamento cuidadoso para reduzir riscos e verificar se cada produto continua adequado à realidade do paciente.
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Quando o uso de vários medicamentos exige atenção?
Não existe apenas uma quantidade de medicamentos que determine, sozinha, se há um problema. A preocupação aumenta quando diferentes prescrições são acumuladas ao longo do tempo, especialmente quando participam profissionais de especialidades distintas. Nesse cenário, um remédio pode permanecer na rotina mesmo depois de a situação que justificou sua indicação ter mudado. Por isso, a necessidade de cada medicamento precisa ser reavaliada periodicamente, considerando o estado atual do paciente e os demais tratamentos em uso.
O avanço da idade também pode alterar a maneira como o organismo absorve, distribui e elimina determinadas substâncias. Como resultado, doses anteriormente bem toleradas podem produzir efeitos diferentes em outro momento da vida. Alterações na função dos rins e do fígado, por exemplo, podem influenciar a segurança de alguns tratamentos. Essas mudanças tornam importante acompanhar possíveis efeitos adversos e avaliar se determinadas doses continuam apropriadas para as condições atuais do paciente.
Por isso, como salienta o Doutor Yuri Silva Portela, a revisão não deve ser encarada como uma tentativa de retirar medicamentos a qualquer custo. O objetivo é verificar se o tratamento continua necessário, adequado e compatível com os demais produtos utilizados. Essa análise individualizada é o ponto de partida para um cuidado mais seguro. Ela também permite identificar situações em que um medicamento deixou de ser necessário ou em que sua manutenção precisa ser discutida diante de novas condições de saúde.
Veja com o Doutor Yuri Silva Portela quais problemas podem surgir com combinações
Quanto maior o número de medicamentos, maior pode ser a complexidade do tratamento. Alguns produtos podem potencializar ou reduzir o efeito de outros, enquanto determinadas combinações aumentam a possibilidade de reações adversas. Além disso, horários diferentes e instruções específicas podem dificultar a organização da rotina. Quando o tratamento se torna muito complexo, aumentam também as chances de esquecimentos, confusões entre doses e uso incorreto, especialmente quando o paciente precisa administrar vários produtos ao longo do dia.

Os efeitos nem sempre aparecem de forma evidente. Sonolência, tontura, fraqueza, confusão, alterações gastrointestinais ou mudanças na pressão podem ser interpretadas como consequências naturais do envelhecimento ou de uma doença já conhecida. Em alguns casos, entretanto, podem estar relacionadas ao tratamento. Com isso em vista, qualquer sintoma novo ou mudança no padrão habitual deve ser comunicado ao profissional responsável, principalmente quando surge após o início de um medicamento ou depois de uma alteração na dose.
O Doutor Yuri Silva Portela aponta justamente a importância de observar essas mudanças em conjunto com o histórico do paciente. Quando um sintoma surge depois da introdução ou alteração de um medicamento, a relação merece ser investigada. A partir dessa observação, a equipe consegue avaliar se há necessidade de modificar a conduta. Esse acompanhamento também ajuda a evitar que uma reação adversa seja tratada como um novo problema de saúde, levando à inclusão de outro medicamento sem que a causa inicial seja analisada.
Por que todos os medicamentos precisam entrar na revisão?
Um dos desafios está em conhecer tudo o que o paciente utiliza. Além dos medicamentos prescritos regularmente, podem existir produtos usados apenas de vez em quando, tratamentos indicados por diferentes médicos e substâncias adquiridas sem receita. Sem essa informação completa, a análise fica comprometida. Até produtos aparentemente simples precisam ser informados, pois podem interferir no tratamento ou acrescentar riscos quando utilizados junto a outros medicamentos.
Por fim, o Doutor Yuri Silva Portela ressalta que também é importante verificar como os remédios estão sendo tomados. Esquecimentos, duplicidade de doses, confusão entre embalagens e mudanças nos horários podem interferir no resultado esperado. Em uma rotina com muitos comprimidos, até mesmo a organização passa a fazer parte da segurança do tratamento.