Elmar Juan Passos Varjão Bomfim relaciona a rastreabilidade de materiais ao coração do controle de qualidade em obras de infraestrutura, porque a confiabilidade do que chega ao canteiro determina desempenho, durabilidade e segurança. Quando cada insumo pode ser vinculado a especificação, lote, fornecedor, testes e local de aplicação, as decisões técnicas deixam de depender de suposições. Assim, o projeto ganha previsibilidade, o retrabalho diminui e as correções passam a ser direcionadas, com impacto direto em prazo e custo.
O que a rastreabilidade precisa garantir na prática
Na avaliação de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, rastreabilidade não é um arquivo de documentos desconectados, e sim um encadeamento verificável entre o que foi definido no plano de qualidade e o que foi efetivamente usado. Nesse sentido, entram requisitos como identificação de lote, certificados e fichas técnicas, comprovação de atendimento a normas aplicáveis, além de registros de inspeção e recebimento. Desse modo, fica possível demonstrar conformidade contratual e técnica, sobretudo quando há auditorias e controles mais rigorosos.
Por outro lado, o ganho mais importante aparece quando surge uma dúvida ou uma não conformidade. A partir disso, a equipe consegue localizar rapidamente onde o lote foi aplicado, quais frentes de serviço foram afetadas e quais evidências sustentam a liberação do material. Dessa forma, a resposta deixa de ser ampla e cara, e se torna proporcional ao risco, reduzindo paralisações desnecessárias e discussões que poderiam ser resolvidas com rastros bem construídos.

Recebimento, armazenamento e liberação para uso: pontos de ruptura
Como observa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, o recebimento é uma etapa sensível porque reúne conferência física, verificação documental e decisão de liberação. Nesse momento, checagens simples, como integridade, compatibilidade com a especificação, identificação e prazos, evitam que materiais inadequados sigam para a execução. Contudo, quando existem divergências, a rotina precisa prever segregação, registro formal, tratativa de não conformidade e validação técnica antes de qualquer uso.
Entretanto, mesmo itens aprovados podem perder desempenho se o armazenamento não respeitar condições mínimas. Umidade, insolação, contaminação e manuseio incorreto alteram características do material e geram falhas que costumam aparecer mais tarde. Sendo assim, rastreabilidade e logística interna precisam conversar, com etiquetas visíveis, controle de movimentação, endereçamento de estoque e inspeções periódicas, de modo que o canteiro mantenha histórico claro do que entrou, onde ficou e quando foi liberado.
Ensaios e registros: Vínculo entre resultado e trecho executado
Sob a perspectiva de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, o controle de qualidade se fortalece quando os ensaios não são tratados como rotina isolada, e sim como parte do vínculo entre material, processo e resultado. Nesse sentido, ensaios de compactação, resistência, integridade, soldagem e outros aplicáveis devem indicar metodologia, data, responsável, identificação do lote e localização precisa. Assim, um resultado de laboratório ou de campo passa a ter utilidade direta para decisões de aceitação, correção ou retrabalho.
Ainda assim, muitas falhas de qualidade são consequência de registros fracos, e não de ausência de ensaio. Formulários incompletos, fotos sem referência e laudos sem correspondência com o trecho executado dificultam rastrear causas e responsabilidades. Por conseguinte, padronizar documentos, treinar equipes e auditar rotinas de registro é parte do próprio controle, porque garante consistência e evita contradições internas que enfraquecem a tomada de decisão.
Dossiê final e efeitos no ciclo de vida do ativo
Conforme analisado por Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, uma rastreabilidade bem estruturada também melhora a etapa pós-obra, pois entrega um dossiê técnico capaz de apoiar operação, manutenção e futuras intervenções. Logo, quando ocorre uma falha ou uma necessidade de melhoria, o gestor do ativo não precisa reconstituir o histórico do que foi executado, já que encontra evidências sobre materiais, testes, fornecedores e pontos críticos, reduzindo tempo de diagnóstico e custo de parada.
Por fim, rastreabilidade e controle de qualidade funcionam como uma engrenagem única: uma organiza a memória técnica da obra, a outra valida a execução com critérios objetivos. Dessa forma, o investimento público ou privado fica mais protegido, com menos incerteza, menos desperdício e maior durabilidade, especialmente em infraestruturas exigidas por uso contínuo e por expectativas elevadas de desempenho.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez